O termo “Síndrome de Asperger” foi cunhado em homenagem ao pediatra austríaco Hans Asperger, que, na década de 1940, estudou crianças com comportamentos e características que mais tarde seriam associados ao espectro autista. Contudo, pesquisas recentes revelaram que Asperger colaborou com o regime n@zist@. Há evidências de que ele encaminhava algumas crianças com deficiência para o programa de eutanásia n@zist@, um projeto que visava exterminar aqueles considerados “impuros” ou “não produtivos” para a sociedade. Esse passado levanta sérias questões éticas sobre a utilização de seu nome na terminologia médica.
A ideia da Síndrome de Asperger ganhou notoriedade na década de 1990. Em 1992, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu esse diagnóstico na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e, em 1994, a Associação Americana de Psiquiatria o acrescentou ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV). No entanto, parece que nenhuma dessas organizações analisou a vida de Asperger durante o Terceiro Reich antes de associar seu nome ao diagnóstico. Normalmente, evita-se nomear condições médicas em homenagem a pessoas envolvidas em ações condenáveis.
A ética dos rótulos diagnósticos tem sido amplamente debatida, e diversas condições que receberam o nome de médicos da era n@zist@ foram renomeadas. No entanto, o nome de Asperger agora é parte de nossas vidas diárias. É um termo que aplicamos a entes queridos, um adjetivo que as pessoas usam para descrever aqueles que veem como socialmente desajeitados e até mesmo uma personalidade arquetípica da cultura popular. Embora a Síndrome de Asperger já não seja um diagnóstico psiquiátrico oficial no DSM-V da Associação Americana de Psiquiatria, o termo provavelmente persistirá como rótulo social. E, internacionalmente, ainda é um diagnóstico oficial na CID-10.21. O debate sobre a permanência desse nome não é apenas uma questão histórica, mas também uma reflexão sobre como categorizamos e nomeamos as condições médicas.
Diante desse contexto, é essencial que a sociedade e a comunidade científica reflitam sobre o impacto de manter o nome de Asperger atrelado a uma condição que afeta milhões de pessoas autistas em todo o mundo. Mais do que uma simples mudança terminológica, trata-se de um reconhecimento histórico e do respeito à memória das vítimas do regime n@zist@.
"Asperger fez parte de um sistema que visava erradicar as crianças que não se adequavam aos ideais n@zist@s de 'pureza' e 'utilidade', contribuindo para um processo brutal que culminou no assassinato de crianças com deficiências e diferenças".